quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Forças vão usar armas elétricas e balas de borracha no Carnaval

No Carnaval deste ano, o folião baderneiro que pular fora da linha está arriscado a tomar no peito uma descarga elétrica das armas ‘taser’
Bruno Wendel e Rafael Rodrigues
No Carnaval deste ano, o folião baderneiro que pular fora da linha está arriscado a tomar no peito uma descarga elétrica das armas ‘taser’ da Força Nacional de Segurança (FNS) ou um tiro de bala de borracha da Polícia do Exército.
Tropas das duas forças estão à disposição da Secretaria da Segurança Pública (SSP) para reforçar a segurança na folia.
Durante a semana foram realizadas reuniões entre o comandante das Forças Armadas na 6ª Região (Bahia), Gonçalves Dias, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alfredo Castro. Até ontem, porém, não estava definido como os cerca de 2 mil soldados e os 320 membros da Força Nacional irão se dividir para ajudar a PM na Operação Carnaval. Após o fim da greve dos militares baianos, os soldados foram retirados das ruas da cidade e estão em repouso dentro dos quartéis.
Força nacional
De acordo com o Ministério da Justiça, a Força Nacional “tem plenas condições de apoiar a segurança pública do Carnaval”. Em nota, o órgão salienta que oficiais da Polícia Militar de outros estados que compõem a tropa têm treinamento de Sistema de Comando de Incidentes (SCI), com noções de Direitos Humanos, uso de tecnologias de baixa letalidade, abordagem, gerenciamento de crise, defesa pessoal e técnicas de patrulha.
A Força Nacional de Segurança vai às ruas com armas de baixo efeito letal, como as pistolas ‘taser’, que lançam uma descarga elétrica capaz de paralisar um indivíduo por alguns segundos, além das algemas e da tonfa (cassetete).
exército Com maior poder do fogo, a Polícia do Exército (PE) é a única que para esse tipo de operação usa pistolas 9 mm, mas a munição empregada é a bala de borracha. Está no arsenal ainda a tonfa e o colete à prova de balas (que a PM não usa durante o Carnaval).
Segundo o coronel Campos, coordenador da Seção de Imprensa do Exército Brasileiro, o uso das armas ficará submetido às instruções da Secretaria da Segurança Pública (SSP), à frente da operação.
“Haverá orientações de como os soldados devem se comportar, com regras de enfrentamento, como uso ou não da força, se é para dar tiro de pistola, fuzil ou bala de borracha”, explicou.
O coronel Walter Leite, da Polícia Militar baiana, que coordenou o Carnaval de Salvador durante 14 anos, é reticente quanto a possibilidade de o Exército participar do policiamento nos circuitos.
“Eles são preparados para multidão, para distúrbios entre civis, mas não para o Carnaval. São treinados para guerra, para controlar greve até deles mesmos, e nós somos preparados para a paz”, comparou.
Polícia militar
Os policiais militares baianos não usam armas de fogo no Carnaval. Somente os comandantes das patrulhas têm o direito de manter a pistola em mãos, mas não podem utilizá-las dentro do circuito – servem para a segurança pessoal do policial, em caso da necessidade de deslocamentos fora das regiões de multidão.
“O local é inconveniente para o uso da arma de fogo. Você vai acertar alguém, só não sabe quem. Nesse risco, é preferível não usar”, explicou Leite. Assim como a Força Nacional, a PM também utilizará as armas de choque elétrico. Serão 152 para toda a tropa.
De peito aberto, de acordo com a assessoria, os militares não utilizarão coletes à prova de balas. Somente capacete, tonfa e algemas. Algumas companhias especiais podem utilizar, em casos extremos, o gás de pimenta.
Circuitos terão 25 unidades especiais da polícia
Atenção, valentões. Haverá espalhados pelos dois principais circuitos do Carnaval, 15 postos integrados da polícia (sete no Centro e oito no circuito Barra-Ondina). Delegados e agentes vão trabalhar em regime de plantão nesses postos. Além disso, cada circuito terá um posto da Polícia Civil.
O folião pego cometendo algum tipo de crime será levado para um das quatro Centrais de Flagrantes (Praça Castro Alves, Piedade, Vitória Center e Campus da Ufba, em Ondina). Ali poderão ser registradas ocorrências, como perda de documentos e furto de objetos. Haverá ainda quatro postos da Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), ao lado da Casa D’Itália, na Piedade (em frente à Polinter), próximo às ‘gordinhas’, em Ondina, e no estacionamento do shopping Barra.
Já o Juizado de Menores terá quatro postos. São eles: Campo Grande (Igreja Batista do Sião), Barra (Tabelionato de Notas do 10º Ofício da Barra) e na Garibaldi (Edifício Sede da 1ª Vara da Infância).